Greice de Oliveira Souza

19/09/2011, 15:00

 

Greice de Oliveira Souza.
Greice de Oliveira Souza é assessora da diretoria operacional (Dirop) da Fundação Renascer, responsável por propiciar uma intervenção qualificada no cotidiano de crianças e adolescentes que utilizam seus serviços. Desde o começo do ano a assistente social atua conjuntamente com outros profissionais nas diversas unidades coordenadas pela fundação auxiliando no acompanhamento, proteção, prevenção e cumprimento de medidas protetivas e socioeducativas de meninos e meninas em conflito com a lei, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Sua trajetória de vida mostra um envolvimento que data de muito tempo, representada pela frase dita pela mesma: “é preciso acreditar naquilo que você faz”.

 

Esta trajetória começou desde muito cedo e sob uma forte influência de sua tia, Ana Arleide, que atuou por muitos anos como assistente social na Renascer. “Quando jovem, sempre acompanhei seu engajamento nessa área da infância e adolescência, participando de eventos da instituição. Esta minha aproximação foi o que me motivou a cursar serviço social”, relata. Com esta referência familiar e já dentro da universidade, Greice conseguiu em 1999 seu estágio curricular na Fundação, atuando no Centro de Estudos e Observação (CEO). “Nesta época, tive a oportunidade de conhecer profissionais maravilhosos e também de atuar em outros espaços, como as casas de acolhimento Sorriso, Isabel Santana de Abreu e o Centro Educacional Eronildes de Carvalho (CEMEC)”, afirmou.

 

Atuando com as medidas protetivas, responsáveis por encaminhar as crianças com menos de 12 anos que se encontram em situação de vulnerabilidade, a então estagiária se formou e, por conta de não existir concurso na época para a Fundação Renascer, teve de se desligar da instituição e atuar em outras áreas. Passou pelo município de Aracaju, trabalhando com famílias e comunidades, focada em associações e cooperativas na geração de renda para famílias em situação de vulnerabilidade social. Em 2003, ingressou no Instituto Xingó, ainda atuando na mesma linha.

 

Somente em 2006, quando foi realizado o concurso para a Fundação Renascer, a assistente social reacendeu seu desejo. Quando questionada sobre o motivo pelo qual resolveu prestar o concurso, ela foi enfática: “É um público com o qual sempre quis trabalhar. Quando as pessoas estão de fora têm preconceito, acham que somos loucos. Mas há, na verdade, duas visões: a de quem está dentro e a de quem esta fora dessa realidade”.

 

Depois da primeira semana na Fundação, Greice foi convidada para atuar na coordenação da equipe técnica do Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip) e Centro de Atendimento ao Menor (Cenam). Apesar de toda a equipe ser recém-ingressa e não ter experiência suficiente na área, ela aceitou o desafio. Durante três meses coordenou as duas equipes, atuando diretamente com as crianças e adolescentes. As atividades giravam em torno de buscar oficinas, cursos, e dar todo o suporte e acompanhamento individual e de grupo à equipe multidisciplinar. Porém, devido à grande demanda na época, em que a Usip atendia 140 crianças e o Cenam 80 adolescentes, a profissional optou por trabalhar apenas na Unidade Socioeducativa de Internação Provisória.

 

Para a assistente social, a superação e a busca por uma nova vida é possível sim. “Não acredito em reeducação, mas na própria educação. Estes meninos e meninas que são assistidos pela Fundação Renascer muitas vezes saíram de uma família desestruturada, têm um pai alcoólatra, uma mãe usuária de entorpecentes. Sendo assim, como exigir que uma criança em uma situação de vulnerabilidade como essa não entre em conflito com a lei?”, questiona. Contudo, mesmo tendo essa compreensão da realidade, ela entende que esses mesmos meninos e meninas vulneráveis precisam e devem ser responsabilizados. “Não é porque reconhecemos essa história de vida deles que aceitamos todos os erros cometidos. Nós entendemos, mas não aceitamos. Isso é importante ficar claro”.

 

Em janeiro deste ano, Greice foi convidada para se unir à assessoria do departamento responsável por lidar com toda a coordenação técnica dos espaços da fundação. Sua visão se ampliou ainda mais e ela passou a lidar com diversos núcleos de atendimento. Desde os meninos e meninas que estão na Usip, aguardando suas medidas socioeducativas, as unidades de acolhimento (antigos abrigos), o Cenam, além de se envolver com o atendimento pós-medida que é voltado para oficinas de reinserção na sociedade.

 

Com posições fortes de quem conhece a realidade das instituições que acolhem e cumprem as medidas protetivas e socioeducativas, em contato direto com o dia a dia das crianças e adolescentes, a assistente social também apresenta uma opinião formada a respeito das propostas de redução da maioridade penal: “Não acredito na redução da maioridade penal, isto é uma coisa que tenho bem claro. Acredito no trabalho de base, de educação, nas famílias mesmo”, afirmou. Greice de Oliveira é um exemplo de quem realmente crê no trabalho que desenvolve e por isso dá o melhor de si para devolver dignidade para estes meninos e meninas.

 

ENVIAR
IMPRIMIR

Anteriores:
 

 

 
     

Rua José Roberto Ribeiro, nº 157, bairro Grageru, Aracaju-SE. CEP: 49027-090. Tel.: 3246-5242,
e-mail:institutorecriando@recriando.org.br